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sexta-feira, 12 de julho de 2013

O INFERNO DE DILMA ESTÁ RECÉM COMEÇANDO

Na semana passada João Santana, o marqueteiro de Dilma, anunciou que em cerca de quatro meses a presidente recuperaria a popularidade perdida com alta da inflação e as manifestações de protesto de junho. Ontem foi Gilberto Carvalho que anunciou que “em cinco ou seis meses, quando a economia melhorar” a presidente recuperará o prestígio popular perdido.

A manifestação de ambos é compreensível, mas não encontra fundamentos na realidade e nas projeções econômicas e políticas que se podem fazer a partir do cenário presente. E os argumentos para defender a tese de que o inferno de Dilma está recém começando são construídos a partir da sinalização que o próprio governo, a presidente e seus aliados emitem em resposta à crise que engolfou o governo.

Do ponto de vista econômico há fatores externos, que o governo não controla, e que contribuíram para a configuração da situação atual. A Europa estagnada ou em recessão, a China desacelerando seu ritmo de crescimentos e suas compras internacionais e os EUA se recuperando e trazendo de volta para casa o tsunami monetário do qual Dilma reclamava nas “aulas” que pretendeu dar aos norte-americanos e europeus em suas viagens pelo mundo, sobre como gerir a economia tomando como exemplo o Brasil por ela governado.

No entanto, é consenso entre os analistas que a principal causa dos problemas de nossa economia é interna e tem origem nas escolhas políticas do ex-presidente Lula e da própria presidente Dilma. Lula surfou a onda de bons preços das commodities a abriu as torneiras do gasto público com despesas correntes e inchaço da máquina pública; mudou o marco regulatório Pré-sal e deu vazão ao desmonte da Petrobrás, dentre outras ações deliberadas que iniciaram o trabalho de sapa aos fundamentos do Real. Em seguida Dilma assume o comando do Banco Central, afrouxa o controle da inflação e interfere na recomposição de preços para manipular seus índices; começa a interferir no câmbio via taxação de investimentos externos para desvalorizar a moeda; autoriza a contabilidade criativa para maquiar a volta do déficit público e despeja dinheiro público em estádios padrão Fifa e em investimentos suspeitos do BNDES em negócios dos amigos do rei.

O conjunto da obra começa a despertar a desconfiança dos investidores. O resultado da política econômica do PT é inflação com estagnação econômica e falta de credibilidade do governo para mudar o curso dos acontecimentos. Na direção e ritmo em que andamos em breve a estagnação da economia tende a se transformar em recessão e desemprego.

A esses ingredientes somam-se dois outros, de natureza política, para corroborar a projeção de um cenário de filme de terror para o período da conjuntura imediatamente à frente.

O primeiro emergiu na cena econômica a partir da cena política. As manifestações de protesto de junho tornaram o resultado da eleição presidencial de 2014 uma gigantesca incógnita. E, todo mundo sabe, o capital é covarde. Na dúvida, não investe, num contexto em que o investimento público e privado seria a saída da crise após o esgotamento do poder de endividamento dos brasileiros, incentivados por Lula a gastar sem controle após a crise de 2008. O congelamento ou redução de passagens e pedágios somou-se aos fatores que afugentam investidores.

O segundo emerge das entranhas do governo. A rainha está nua, sozinha e perdida num covil de serpentes. E essa constatação vale para a condução da agenda econômica e da agenda política.

Do ponto de vista da economia, a presidente parece ter optado pela esquizofrenia. Por um lado, autorizou o BC a elevar os juros para conter a inflação. Por outro, segue estimulando o consumo e recorrendo à contabilidade criativa na aparente expectativa de maquiar o Frankenstein em que se converteu sua política econômica na tentativa sôfrega de construir uma situação capaz de sustentar sua reeleição num simulacro de prosperidade que deixou de existir a muito.

O pressuposto número um para a recuperação das condições de conduzir o governo até o final de seu mandato seria a lucidez da presidente, de seu partido e das elites políticas tradicionais da nação para entender a mudança que está se processando na sociedade a partir das “jornadas de junho de 2013”. No rumo em que as coisas vão, a eleição presidencial está perdida para Dilma. No lugar dela, um estadista de verdade botaria o foco no futuro na nação e tentaria salvar as condições de recuperação da economia para o novo governo. Seja ele quem for.

Não é o que se vê. Mesmo que quisesse, e não parece ser o caso, a presidente não pode mexer no seu governo nesse momento sob pena de piorar ainda mais suas precárias condições políticas. Que paradoxo! Dilma precisa mudar seu governo e ao mesmo tempo não pode mudá-lo sem correr o risco de fragilizar ainda mais sua sustentação política junto a aliados que operam para isolá-la e enfraquecê-la ainda mais. Inclusive muita gente do próprio PT conspira contra Dilma. Confesso que só não sinto pena da presidente porque sua situação parece merecido castigo divino. Rezo todas as noites para chegarmos em paz às urnas de 2014.

Mas, não é só Dilma que está perdida. O fracasso da greve geral convocada para ontem, na qual as centrais sindicais precisaram alugar “povo” para engordar mirradas passeatas demonstra que toda a elite que nos governa não sabe o que fazer para controlar o incontrolável. O silêncio de Lula é eloquente. A autorização para a fracassada greve geral teria partido dele como tentativa de ressuscitar os aparelhos sindicais que outrora serviam como porta-vozes dos anseios populares.

Num cenário de pressões inflacionárias, elevação da taxa de juros, estagnação ou recessão e desemprego, e no qual nenhuma das aspirações da população que foi às ruas em junho pode ser satisfeita no curto prazo (fim da impunidade aos corruptos e melhoria dos serviços públicos de transporte, saúde, educação e segurança), não há saída rápida e sem dor para Dilma, mesmo que ela estivesse fazendo a coisa certa. E não está!

Lula, orgulhoso, atribui a si mesmo a mudança pela qual o país está passando. E, em boa parte, é verdade, mas, num sentido frontalmente oposto ao que ele entende e desejaria que fosse. O futuro que Lula construiu não sorri para ele e nem para seu PT. Muito menos para Dilma. O povo voltará às ruas.