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terça-feira, 18 de novembro de 2014

SALÁRIO MÍNIMO REGIONAL E OPORTUNISMO POLÍTICO

No dia 12/11 ZH estampou capa com o governador que sai propondo aumentar o salário mínimo em 16% e com a suposta concordância do governador que entra. O assalariado desavisado deve ter sorrido de felicidade.
Será isso uma bondade? Que consequências a virtual aprovação dessa medida pelos deputados trará para a economia gaúcha?
Nossa economia encontra-se a caminho da recessão. A inflação está acima do teto da meta e, tudo indica, se manterá assim em 2015. O emprego industrial caiu pelo sexto mês consecutivo. Esse cenário é radiografia do passado.
Governo novo, ideias novas, lembram? No meio empresarial ninguém parece acreditar.
Fechadas as urnas as empresas aceleraram as demissões. O grupo Randon, de Caxias, um dos grandes, acaba de ordenar a redução em 5% em seus quadros. As grandes empresas relutam em demitir devido aos altos custos da dispensa. Empresas desse porte têm fôlego para preservar empregos se vêem o futuro com otimismo. Quando demitem é porque estão pessimistas.
Grandes empresas não pagam salário mínimo. Quem paga salário mínimo são as pequenas e microempresas e os empregadores domésticos. As pequenas e microempresas são as maiores geradoras de empregos.
O que acontecerá com esses empregos se o salário mínimo for elevado em 16%, portanto, 9,5 pontos percentuais acima da inflação? Alguma dúvida?
Todos que acompanharam a recente campanha eleitoral sabem que as finanças públicas do RS foram levadas pelo governador derrotado à mais grave crise de que se tem notícia. Estamos afundados no “cheque especial e no rotativo do cartão de crédito”.
Além disso, o governador que sai deixa como herança aos pagadores de impostos, várias prestações dos aumentos de salários que concedeu ao funcionalismo. Não havendo mais de onde tirar dinheiro, conseguiu com “a gerente do banco”, mais R$ 2 bilhões de “limite do cheque especial” para que possamos nos afundar ainda mais em dívidas impagáveis.
O curioso, para não dizer alarmante é que o já quase ex-governador sorri para as câmeras dizendo que deixou tudo pronto para o governador que entra fazer um excelente mandato. Completa o serviço com a “bondade” fatal para os milhões de futuros desempregados que produzirá nas micro e pequenas empresas gaúchas.
O que pensar de um “concertador” de obra tão magnífica? Quem terá coragem de desarmar essa bomba?

(Publicado originalmente em http://wp.clicrbs.com.br/opiniaozh/2014/11/14/artigos-salario-minimo-regional/)